O que Robô Selvagem ensina sobre IA e negócios
Assisti ao filme Robô Selvagem com minha esposa e simplesmente amei.
Normalmente, imaginamos que desenhos animados sejam produzidos principalmente para crianças. Mas é impressionante como algumas animações conseguem atravessar essa barreira e capturar também a atenção dos adultos.
Foi exatamente o que aconteceu comigo.

Além da beleza das imagens e da emoção da história, o filme me fez pensar sobre Inteligência Artificial, adaptação, liderança e o futuro do trabalho. Tanto que, enquanto assistia, comecei a enxergar diversas relações entre aquela história e o momento que estamos vivendo no mundo dos negócios.
Para quem ainda não conhece, o filme acompanha Roz, uma robô que vai parar em uma ilha habitada apenas por animais selvagens. Ela foi criada para cumprir tarefas e atender às necessidades das pessoas. O problema é que, naquele ambiente, não existem pessoas, comandos claros ou um manual dizendo exatamente o que ela deve fazer.
Roz possui tecnologia, informação e capacidade de processamento. Mesmo assim, precisa aprender praticamente tudo.
E talvez essa seja a primeira grande lição do filme para as empresas.
Ter tecnologia não significa saber usá-la
Roz possui inúmeros recursos, mas isso não significa que esteja preparada para qualquer situação.
É o que acontece com muitas empresas quando começam a utilizar Inteligência Artificial. Elas contratam ferramentas, liberam o acesso para os funcionários e esperam que os resultados apareçam automaticamente.
Mas possuir uma ferramenta não significa saber utilizá-la.
Antes de adotar uma tecnologia, a empresa precisa entender qual problema pretende resolver. Onde estão os gargalos? Quais tarefas consomem tempo demais? O que poderia melhorar a experiência do cliente?
A tecnologia começa a gerar valor quando deixa de ser apenas uma novidade e passa a resolver um problema real.

A IA precisa de contexto
Ao chegar à ilha, Roz tenta agir conforme sua programação. Porém, percebe que suas respostas não são suficientes para aquele ambiente. Ela precisa observar, ouvir e aprender como aquele ecossistema funciona.
O mesmo vale para a IA.
Imagine um vendedor que peça:
“Escreva uma mensagem para o meu cliente.”
A ferramenta poderá criar um texto correto, mas provavelmente genérico.
Agora imagine que ele explique que o cliente recebeu uma proposta há cinco dias, demonstrou interesse, mas precisa conversar com o sócio. Acrescente que deseja retomar o contato sem pressioná-lo.
A resposta será muito melhor porque existe contexto.
A IA não precisa apenas de comandos. Precisa de informações que a ajudem a compreender o problema.

Adaptar-se vale mais do que apenas executar
Roz não sobrevive apenas porque executa aquilo para que foi programada. Ela sobrevive porque observa o ambiente, reconhece que suas respostas iniciais não funcionam e aprende novas maneiras de agir.
Essa também é uma habilidade essencial para qualquer profissional.
Durante muito tempo, uma pessoa podia aprender determinada função e repeti-la durante anos. Hoje, ferramentas, comportamentos de consumo e modelos de negócio mudam rapidamente.
O profissional que apenas executa ordens corre o risco de ficar para trás. Aquele que aprende, questiona e se adapta torna-se mais valioso.
A chegada da IA não elimina a necessidade de aprender. Pelo contrário: torna o aprendizado contínuo ainda mais importante.

Confiança não pode ser automatizada
No início da história, Roz é vista como um elemento estranho. Os animais não sabem o que ela pretende fazer nem se representa algum perigo. A confiança surge aos poucos, por meio de suas atitudes.
Dentro das empresas, algo parecido acontece com a Inteligência Artificial.
Quando uma nova tecnologia é apresentada sem explicações, os funcionários podem enxergá-la como uma ameaça. Podem imaginar que serão substituídos ou que todo o conhecimento acumulado perderá seu valor.
Por isso, implementar IA não é apenas um projeto tecnológico. É também um projeto de liderança.
As pessoas precisam entender por que a ferramenta está sendo adotada, como ela poderá facilitar o trabalho e quais responsabilidades continuarão sendo humanas.
A confiança não nasce da tecnologia. Nasce da maneira como os líderes conduzem sua utilização.

A IA deve ampliar o potencial humano
O valor de Roz não está apenas em sua capacidade de realizar tarefas. Sua importância cresce quando ela passa a compreender necessidades, colaborar e ajudar outros personagens.
Esse também deveria ser o papel da IA dentro das empresas: ampliar o potencial humano.
Em vendas, ela pode pesquisar clientes, preparar reuniões, organizar informações, criar primeiras versões de propostas e sugerir mensagens de acompanhamento.
Mas não pode assumir a responsabilidade de se importar com o cliente.
A IA pode sugerir uma pergunta, mas cabe ao vendedor ouvir verdadeiramente a resposta. Pode escrever uma mensagem, mas cabe ao profissional verificar se aquele texto representa o que deseja comunicar.
A ferramenta pode aumentar nossa capacidade. A responsabilidade continua sendo nossa.

Quanto mais tecnologia, mais humanidade
Quanto mais tarefas forem automatizadas, mais valiosas se tornarão habilidades como escuta, empatia, criatividade, responsabilidade e bom senso.
O perigo não está apenas em uma máquina se tornar parecida com uma pessoa. Está também em as pessoas começarem a agir como máquinas: repetindo respostas prontas, enviando mensagens sem contexto e tratando clientes como números.
As empresas que aproveitarão melhor a Inteligência Artificial não serão necessariamente aquelas que contratarem mais ferramentas. Serão aquelas que souberem combinar tecnologia, estratégia e pessoas.
A IA pode produzir mais rapidamente, analisar informações e automatizar tarefas. Mas somos nós que precisamos definir por que fazer, para quem fazer e quais resultados desejamos produzir.
Robô Selvagem nos mostra que a tecnologia se torna verdadeiramente valiosa quando deixa de apenas executar comandos e começa a ajudar as pessoas a resolver problemas reais.
E a pergunta que fica é:
Sua empresa está apenas instalando ferramentas de Inteligência Artificial ou está preparando pessoas e tecnologia para trabalharem juntas?
Leandro Branquinho - Palestrante de Vendas
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