Quem constrói confiança nunca é substituído

Quem constrói confiança nunca é substituído
A história de Robbie de Asimov é uma grande lição sobre confiança

“Robbie” é um dos primeiros contos do livro Eu, Robô, de Isaac Asimov, e também um dos mais emocionais.

Spoiler leve de uma das histórias do livro Eu, Robô:

Robbie é um robô babá, mudo, projetado para cuidar de uma menina chamada Gloria.
Para Gloria, Robbie não é uma máquina, é um amigo de verdade.
Eles brincam, conversam (do jeito deles) e criam um vínculo profundo.

O conflito surge com a mãe de Gloria, que passa a ter medo do robô. Ela representa o medo humano da tecnologia:

  • medo de dependência
  • medo do desconhecido
  • medo de máquinas convivendo tão próximas das pessoas

Mesmo sem Robbie jamais demonstrar qualquer perigo, a mãe decide afastá-lo da criança.

Gloria sofre muito com a separação.

No final, quando a menina corre perigo em uma indústria, é justamente Robbie, quem a salva. Assim, fica provado que o robô era mais seguro do que o preconceito humano.

Porque eu amo esta história

  • O problema não é a máquina (a IA, ou o Robô), é o medo humano
  • Mostra robôs não como vilões, mas como protetores
  • Muito a frente do seu tempo, Azimov falou de debates que são atuais sobre IA, confiança e convivência com tecnologia
imagem de um robô de Azimov protegendo uma criança
Os robôs de Azimov são comparados ao que hoje vemos como Inteligência Artificial Generativa

Robbie e a IA de hoje: o mesmo medo, em outra embalagem

Robbie não é rejeitado porque é perigoso.
Ele é rejeitado porque ninguém entende completamente como ele funciona.

Isso é exatamente o que acontece com a IA hoje.

O medo não nasce por ser uma coisa arriscada, mas da falta de compreensão

No história, Robbie: segue regras claras, não pode machucar humanos, tem um histórico impecável...

Mesmo assim, a mãe de Gloria confia mais no medo coletivo do que na evidência.

Hoje, a gente escuta o mesmo discurso:

  • “A IA vai roubar empregos”
  • “A IA vai manipular pessoas”
  • “A IA não é confiável”

Nem sempre essas críticas vêm de experiências reais, mas de narrativas, de chamadas nas redes sociais que foram feitas só para atrair "clicks".

Robbie é “explicável”.
A IA moderna nem sempre é.

Robbie funciona de baixo das Três Leis da Robótica... simples, compreensíveis, quase pedagógicas.

Primeira Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
Segunda Lei: Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto se tais ordens entrarem em conflito com a Primeira Lei.
Terceira Lei: Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Leis. 

A IA atual, por outro lado:

  • funciona como uma caixa-preta
  • toma decisões baseadas em probabilidades
  • aprende com dados que o usuário não vê

Isso aumenta a ansiedade.

Quanto menos explicável a tecnologia, menor a confiança... mesmo quando ela é muito eficaz.

Por isso, hoje em dia, a gente já está conversando sobre IA explicável, governança e ética. Asimov meio que direcionava esse caminho em 1940.

O vínculo emocional já está acontecendo

A garotinha Gloria cria um laço com Robbie.
Não porque ele é perfeito, mas porque ele é presente, consistente e confiável.

Hoje:

  • pessoas conversam diariamente com assistentes de IA
  • pedem conselhos
  • organizam pensamentos
  • aprendem com elas
  • tem gente que até trata como se fosse namorado(a)

Na verdade, não é romance, é relação funcional com afeto cognitivo: confiança construída pela repetição.

Exatamente como Robbie.

Uma relação de confiança

A grande ironia: a IA salva, o humano impede

No ponto mais alto do conto de Azimov, Robbie salva Gloria.
O risco não veio do robô, veio da decisão humana de afastá-lo.

Hoje vemos uma coisa parecida:

  • IAs que poderiam aumentar produtividade, aprendizado e segurança
  • mas são barradas por medo, política ou desconhecimento
  • enquanto humanos seguem cometendo erros previsíveis

Asimov já alertava: o maior perigo não é a máquina agir, é o humano proibir sem entender.

IAs que fazem o papel de “Robbie” hoje


Ajudam, protegem, mas não substituem decisões humanas

🔹 ChatGPT

Por quê?

  • Atua como copiloto, não como protagonista
  • Responde, sugere, organiza ideias
  • Depende do humano para decidir

É como se fosse Robbie porque:

  • Não age sozinho
  • Não executa sem comando
  • Amplifica a capacidade humana

🔹 Claude (Anthropic)

Por quê?

  • Forte foco em segurança, ética e previsibilidade
  • Respostas mais cautelosas
  • Excelente para análise e revisão de textos

Parece com Robbie porque:

  • Evita ações de risco
  • Prioriza não causar dano
  • Opera sob “regras invisíveis”, como as Leis da Robótica

A grande lição para recomendar qualquer IA

Antes de adotar uma IA, a pergunta deveria ser a mesma que Asimov nos ensinou:

Ela protege o humano?
Ela é previsível?
Ela explica o que faz?
Ela depende da decisão humana?

Se a resposta for “sim”,
você está lidando com um Robbie, não um risco.

Texto inspirado em Robbie - Um conto de Isaac Asimov

E se você trabalha com vendas e usa IA, lembre-se : Quem constrói vínculos verdadeiros nunca será substituído pela tecnologia.

Veja também: O que é IA Clássica

Leandro Branquinho - Palestrante de Vendas

Veja também: Como Vender Pelo LinkedIn

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Leandro Branquinho - Palestrante de Vendas